terça-feira, 26 de abril de 2011

ESTAMOS PATROCINANDO A LUTA CONTRA QUALIDADE DE VIDA!

Mesmo sem perceber,o ato de consumir é muito mais complexo de apenas concretizar o desejo de possuir, ter... Estamos fazendo também escolhas que podem afetar diretamente na nossa própria qualidade de vida. Um exemplo disso, é o fato de estarmos a mercê de produtos MADE IN CHINA. Quase perdemos o direito de escolher, pois se prestarmos atenção e lermos melhor as embalagens de quase tudo que consumimos, vamos encontrar lá a informação: made in china! 
Pare para pensar: Como uma empresa consegue lucrar mais importando um produto do que se o fabricar no seu próprio país? Hoje em dia, milhares de indústria apenas importam suas mercadorias, já embaladas em caixas prontas para serem enviadas ao varejo, que chegam em containeres vindos diretamente da China. Os empregados das empresas importadoras tem apenas o trabalho de abrir as caixas e conferir se está tudo certo, adicionar algumas informações em português na embalagem (que geralmente é substituída), como o manual de instruções, por exemplo. Hoje em dia é mais barato agir desta forma.
Como os chineses conseguem essa façanha!? Exportar para o mundo todo com preços tão baixos que agridem todo o mercado internacional... Qual o problema disto tudo!? Na China, as leis trabalhistas não conferem muitos direitos aos empregados, que trabalham em jornadas de trabalho de até 16horas diárias, ganhando remuneração com "baixíssimo" poder de consumo, sem 13º salário, e vários outros direitos que nós brasileiros conquistamos nas nossas leis trabalhistas. Se coloque no lugar de um empresário buscando uma forma de aumentar o faturamento de sua empresa... quando "importar" significa ganhar mais, trabalhado menos, com menos despesas, essa será a estratégia adotada, é o óbvio! 
20091201-made-in-china-01
Agora se pensarmos no empresário brasileiro que se vê impotente diante baixa competitividade dos seus preços com os da concorrência, principalmente de produtos made in china, acaba impedido de expandir seu negócio, além de nem poder pensar em oferecer melhores salários para seus funcionários, etc. Isto se não for obrigado a reduzir o número de funcionários, ou aumentar a carga horária, ou diminuir salários... ou seja, quando compramos made in china, estamos "puxando" a economia para uma situação retrógrada, de diminuição da qualidade de vida das pessoas nos seus países, uma vez que a tendência é de se buscar seguir  "receitas" de economias que crescem (financeiramente). Este tipo de filosofia praticamente  "escraviza" seu povo, numa condição de vida inferior, onde ele acabe se submetendo a trabalhar sob qualquer tipo de situação adversa imposta pelo patrão, para poder apenas "sub existir", impondo um ciclo vicioso e sem saída de submissão social. Somado  a isto, eles possuem uma moeda extremamente desvalorizada, (uma situação que é criticada por outros países) onde os chineses conseguem invadir todo o planeta com qualquer produto por um valor bem abaixo dos preços dos países que importam de lá. 



Se pararmos para pensar neste caso, a longo prazo, o barato vai sair muito caro. Existem muitos grupos de pessoas que lutam por mais direitos aos trabalhadores em pról de uma melhor qualidade de vida, com menor carga horária, ambiente de trabalho saudável, salários que proporcionem dignidade ao trabalhador, estabilidade... E existe uma corrente contrária que passa quase despercebida, como se fosse invisível, de uma rede de consumo que patrocina a tendência dos meios de produção irem na direção da realidade que os trabalhadores chineses vivem, como uma forma do resto do mundo poder competir num mercado de desigualdades.
Pense nisso!
Santa sent all production to China. Please help.  by Corbett, Jack

domingo, 17 de abril de 2011

Burro de carga tributária parte 2

Mais lenha para nossa fogueira: realmente a máquina pública brasileira "É" a mais cara do mundo!!!! 
Se levarmos em consideração no congresso nacional apenas senadores e deputados, gastamos 10,2 milhões para pagar seus salários. Vamos comparar com outros países para ter uma idéia quanto que eles gastam com seus parlamentares ao ano: 
Itália - 3,9milhões
França - 2,8milhões
Argentina - 1,3milhões
Espanha - 850mil (não errei não, é mil mesmo!)
O valor de 10,2milhões do Brasil é sem levar em consideração a assembléia legislativa...
Nós contribuintes pagamos sem reclamar R$11.500,00 por minuto para sustentar cada parlamentar. 
Deve ser bom governar um país onde o povo detesta política, e quando resolve fazer protesto, o faz de forma incompreensível, como votar em personagens como Tiririca, por exemplo. Como diria Arnaldo Jabor, o povo brasileiro não é alegre, é babaca! confira mais no youtube: 
http://www.youtube.com/watch?v=eySRDPHO8XM&feature=player_embedded
Assista também por Arnaldo Jabor


http://www.youtube.com/watch?v=5Y6HSHwhVlY&feature=related

ciclovias já!!

Ciclovias já!, Já virou até clichê esta frase, de tanto ser repetida inúmeras vezes por movimentos organizados por associações ou grupos de ciclistas. A realidade é que a cada ano que passa, torna-se mais necessário que o planejamento urbano das cidades seja voltado para a bicicleta. Hoje em dia, com o crescimento econômico do país, torno-se muito fácil a aquisição de um automóvel ou motocicleta. No primeiro emprego hoje o jovem já consegue arriscar em comprar seu "sonho de metal" financiado, que vai muito além de um meio de transporte: também oferece status...Quem usa bicicleta no dia-a-dia, deveria ser respeitado e admirado pois além de ser um exemplo a ser seguido, ele não está poluindo o ar que respiramos e é um carro a menos atrapalhando o trânsito. Ao invés disso, muitas pessoas tem vergonha de andar de bicicleta (isso mesmo, VERGONHA!!) pelo fato de não oferecer status social, e em muitos locais, andar de bicicleta parece um risco a própria  vida, pois além de não haver local adequado para transitar, nenhum veículo automotor tem o mínimo de respeito, e muitos parecem não ter respeito algum pela vida alheia. Quem usa bicicleta, sabe do que estou falando. E num país emergente, ainda pobre (pelo fato da riqueza ser mal distribuída) e capitalista, não é difícil de entender como um "cidadão" de visão social reduzida acaba tendo este comportamento de discriminação da bicicleta.  

Cidades como Copenhague, na Dinamarca, Bogotá, na Colômbia e Amsterdam na Holanda, por exemplo, colecionam importantes avanços com a priorização de ciclovias, ao invés de veículos. Na capital holandesa,onde as crianças aprendem na escola a importância da educação no trânsito, encontra-se a maior concentração de bicicletas do mundo. Por meio de ciclovias, os pedestres podem chegar aos principais pontos da cidade, que também conta com estacionamentos e passarelas exclusivas para as bicicletas. O objetivo é deixar o local mais humano, sociável, além de diminuir a poluição e preservar o meio ambiente.Assim como Amsterdam, a cidade de Copenhague oferece boa infra-estrutura para uso de bicicletas. Como um em cada três habitantes utiliza este meio de transporte diariamente, é comum ver nas ruas da capital dinamarquesa pessoas indo de bicicleta ao trabalho e à universidade.









Exemplo de uma ciclovia planejada, com espaço físico adequado e bem sinalizada
Parece bem seguro!
 Na América do Sul, o bom exemplo vem da capital colombiana. Desde 1998, Bogotá tem desenvolvido medidas e melhorado seu planejamento urbano para diminuir o número de automóveis que circulam pela cidade incentivando, por consequencia, o aumento na quantidade de ciclovias e bicicletas, que acarretará numa maior mobilidade urbana. Quando a cidade possui planejamento para o uso da bicicleta, acaba encorajando os cidadãos a optarem por este meio de locomoção para irem trabalhar, estudar, sair para seu lazer, etc. Para se ter uma idéia, sem fazer esforço algum, numa bicicleta sem marcha, anda-se a uma velocidade média de 15Km/h. Isto significa que que você levará 30min para percorrer uma distância de 7,5Km sem se cansar ou ficar suado. De carro, levará 10min (se não houver engarrafamento ou trânsito lento) para realizar o mesmo trajeto, mas sem benefício algum para a sua saúde.

Não bastam ciclovias, deve haver toda uma infra-estrutura junto, como ônibus que permita o transporte da bicicleta, nas rodoviárias ou terminais rodoviários devem haver locais específicos para guardar seu meio de transporte ecológico, e por ai vai.


Este é um bicicletário de uma estação de trem. Como no Brasil o transporte rodoviário é predominante,  esta estrutura deveria estar disponível em rodoviárias e terminais de transporte público.
Este é um vagão de trem destinado exclusivamente para pessoas que precisam levar sua bicicleta para completar seu percurso ao seu destino final. Também disponibilizado para cadeirantes e carrinhos de bebê. Novamente salientando que nosso transporte público é baseado em ônibus, deveriam haver alguns deles com espaço para esta finalidade.
 A soma de vários fatores que facilitem a acessibilidade da bicicleta no meio urbano, tem relação direta com a sustentabilidade do transporte, que já vive o caos nos grandes centros, e que infelizmente este é o cenário para onde caminham as demais cidades com economia em crescimento.

Então ficam as dicas: participe de ações que promovam ou reivindiquem ciclovias na sua cidade; vote em gestores políticos que possuam projetos neste sentido; E não deixe de fazer o principal: usar a bicicleta!!

domingo, 3 de abril de 2011

Burro de carga! Carga tributária...

Interessante que todas as leis que visam beneficiar apenas a população, dificilmente são regulamentadas. Uma delas é a do parágrafo 5 do artigo 150 da constituição federal, que aguarda já por 22 anos para que os deputados federais a regulamentem para que possa ser aplicada. Esta lei obriga que o valor dos impostos cobrados sobre produtos sejam informados com exatidão para o consumidor. Só para lembrar: o valor médio da carga tributária sobre o preço final dos produtos no Brasil é de 83,07%. 
Para um ser humano ter uma vida digna, precisa se alimentar bem, ter moradia salubre, roupas para se proteger do clima, acesso a saúde e educação. Vamos então ver o valor do imposto que incide sobre alguns produtos e serviços
 indispensáveis para sobreviver:


MORADIA
Produto
Imposto (%)
Casa popular
49,02
Conta de água
29,83
Conta de luz
45,81
Conta de telefone
46,65




ALIMENTAÇÃO
Produto
Imposto (%)
Feijão
18
Arroz
18
Carnes (bovina, aves, peixes)
18
Leite
19,24
Ovos
21,79
Frutas/Verduras
22,96






VESTUÁRIO
Produto
Imposto (%)
Roupas
37
Calçados
37,37


E se você quiser curtir, ingerindo álcool:


BEBIDAS ALCOÓLICAS e CIGARROS
Produto
Imposto (%)
Cachaça
83,07
Cerveja
56
Vinho
46
Cigarros
81,65


Vamos imaginar um cenário onde esta carga fosse redistribuida, levando-se em consideração que uma menor carga tributária facilitaria financeiramente o acesso dos cidadãos as necessidades básicas:


MORADIA
Produto
Imposto (%)
Casa popular
10
Conta de água
10
Conta de luz
20
Conta de telefone
20




ALIMENTAÇÃO
Produto
Imposto (%)
Feijão
5
Arroz
5
Carnes (bovina, aves, peixes)
5
Leite
5
Ovo
5
Frutas/Verduras
5


VESTUÁRIO
Produto
Imposto (%)
Roupas
25
Calçados
25



BEBIDAS ALCOÓLICAS e CIGARROS
Produto
Imposto (%)
Cachaça
137,73
Cerveja
111
Vinho
211,32
Cigarros
136,31



Qual foi a mágica? Apenas somei os valores retirados dos produtos e serviços de primeira necessidade, que foram incluídos aos impostos de bebidas alcoólicas e cigarros (produtos supérfluos). Claro que redistribuir carga tributária não é tão simples assim, porém não é complicado. Você deve estar se perguntando: -Será que ninguém teve esta idéia antes? Sim, todos políticos tem esse conhecimento, porém ninguém quer tocar na ferida, e muito menos trabalhar de verdade, por a mão na massa. O que falta é apenas vontade política! 
Os impostos pesam no nosso bolso, porém são necessários para fazer a manutenção do sistema, do estado, etc, manter tudo funcionando. Mas vamos falar mais um pouco sobre tributos para concluir esse texto.
Abaixo, uma tabela com ranking simplificado da carga tributária sobre salários:

CARGA TRIBUTÁRIA SOBRE SALÁRIO
País
Imposto (%)
1º - Dinamarca
43,1
2º - Brasil
42,2
5º - Finlândia
31,7


Pagamos então praticamente o mesmo valor de impostos que os dinamarqueses sobre nossos salários, porém, nossos amigos nórdicos dispõem de serviços públicos que nem conseguimos imaginar... Por exemplo; Derrepente você adoeceu, e neste momento mais frágil, está necessitando de atendimentos especiais. Através de um número de emergência, em pouquíssimos minutos uma ambulância equipada com recursos de última geração e com uma "tripulação" extremamente capacitada, o levará para algum dos vários hospitais de última geração com todos recursos que possam existir na área da saúde, com  equipes de médicos especialistas de todas as áreas.
Seu filho precisa ir a escola!? Então basta matriculá-lo numa das milhares de escolas públicas, que possuem toda estrutura e profissionais para que ele seja o que quiser na vida (profissionalmente). Ensino fundamental, médio, técnico, superior, tudo o que precisar, é só procurar e estudar. Escolas particulares existem para os coitados que não conseguem acompanhar a escola pública.
Ah! você perdeu o emprego!? Neste caso o serviço social da sua cidade, através do seu perfil profissional vai procurar um novo emprego para você, enquanto fica em casa recebendo seguro desemprego. O detalhe é que pode-se escolher o emprego que lhe for mais conveniente ao invés de aceitar o primeiro que oferecerem. 
Não tem condições de comprar moradia? O serviço social da sua cidade irá instalar você num apartamento de um condomínio popular que possui espaço e cômodos para a sua família, com todo o conforto mínimo que se necessita num país com clima "gelado". E lhe ajudam a mobiliar o imóvel. É verdade que existem moradores de rua, mas o são por opção pessoal, por desapego material, como se fossem "hippies urbanos".
Quanto custa tudo isso? 43,1% do salário. E agora vamos pensar um pouco: e o que acontece com os 42,2% que nós brasileiros pagamos sobre nosso salário? O que recebemos em troca? O que custeamos com esse tributo? Então lhe respondo: Super salários de parlamentares que fazem parte de uma máquina que é considerada uma das mais caras do mundo, obras superfaturadas, mensalões, tráfico de influência, recheio de roupa íntima (caso do dinheiro na cueca), e por estes caminhos nosso dinheiro vai se diluindo.
Não podemos esquecer que é importante pagar impostos, pois estes "deveriam" voltar como benefícios para a população, e manter tudo funcionando, como já foi comentado em outro parágrafo. Então posso afirmar que deveríamos pagar impostos sorrindo, felizes da vida, se soubessemos que cada centavo voltaria como benefício para todos nós. Infelizmente, não é bem assim, tanto é que entre as pessoas que mais sonegam impostos são parlamentares e altos executivos de grandes empresas. Parece que fazem isso porque sabem qual seria o destino dos valores que não contribuiram. Eles encurtam o caminho do retorno e investem o dinheiro direto neles mesmos. Quem paga mais impostos são os assalariados... Irônico, não!?
E a Finlândia, terra do papai noel, com carga tributaria salarial de 31,7% foi eleito o país com uma das melhores qualidades de vida do planeta! Lembre-se que lá paga-se 10,5% menos impostos que no Brasil, e também que o territórios deles é parecido com o estado com o do estado de Goiás (338.145 Km2), contra 8.514.876,599 kmdo território brasileiro.
Vamos prestar atenção nos nossos políticos para que nas próximas eleições possamos tomar decisões mais acertivas, que é o mínimo que devemos fazer! Também participe das reuniões da associação de moradores do seu bairro! Compareça nas seções da câmara de vereadores da sua cidade! Participe de ongs! Afilie-se a um partido político ao qual você se identifique! Faça a diferença!!






quarta-feira, 30 de março de 2011

Direito de ir e vir: só pagando!

Como diria a música do Titãs: "A solução é alugar o país"... Em vários países do mundo (primeiro mundo) é muito comum trafegar por estradas privadas. Elas são uma boa alternativa para o governo uma vez que as responsabilidade de manutenção e fiscalização correm por conta da concessionária privada. O único trabalho do governo é arrecadar receita de impostos cobrados desta empresa. Para a população é interessante porque a empresa deve manter a estrada em boas condições de rolagem e estrutura para atendimento de emergências. E se de alguma forma um "consumidor" se sentir lesado, pode processar uma empresa privada, que fica bem mais fácil de ganhar a causa na justiça e bem mais provável que seja indenizado. Outra vantagem é que deixa-se de pagar impostos sobre automóveis ( que chega a impressionante marca de 43%), combustíveis (53% por litro) e documentação (IPVA: imposto sobre propriedade de veículos automotores) que se destinam a construção e manutenção de estradas, e uma parte deveria ser investido em saúde. Vamos rever estas taxas utilizando exemplos práticos: ao comprarmos um carro de médio porte com valor de R$35.000,00 deixamos R$15.000,00 para o governo. Ao sair da concessionária bem "prósinha" com seu carro novo, deve-se ir direto a um posto de gasolina encher o tanque (que cabe em média 45 litros). Com o valor médio de R$2,70 o litro, ao encher o tanque já se foram mais R$64,4 direto para os cofres públicos. E daqui um ano vem as taxas da documentação (IPVA) que corresponde a 2% do valor do veículo, que no caso do nosso exemplo custaria R$700,00. O DPVAT (seguro obrigatório) custa R$ 85,00 para carros.  Achou muito!??. Pois bem, ao rodar nas estradas construídas com o seu (nosso) dinheiro, derrepente surge uma praça de pedágio impedindo o cidadão brasileiro de ir e vir por todo o território nacional, cobrando pela sua passagem na estrada (repetindo) construida com dinheiro público. É muita sacanagem!! Esta lei que citei de que todo cidadão tem o direito de ir e vir... deveria ser alterada para: "Todo cidadão brasileiro tem o direito de ir e vir por todo território nacional a pé ou de bicicleta". Não sou contra praças de pedágios, apenas sou contra pagar por três vezes taxas que tem a mesma finalidade. Ou paga-se imposto para estradas sobre  veículos e combustível e não existe praça de pedágio, ou existe praça de pedágio e não existe imposto sobre veículos e combustível... A propósito, mesmo se você possui um veículo automóvel, procure usá-lo o mínimo possível. Desta forma pagará menos imposto sobre combustível, irá emitir menos gases do efeito estufa e ainda terá uma vida mais saudável. 

Ficha limpa...

Meus queridos amigos, com muita decepção, mas sem ficar impressionado, li nos jornais desta semana que os 22 réus envolvidos no mensalão (escândalo envolvendo trafico de influência e propina), estão automaticamente absolvidos da acusação de formação de quadrilha. Motivo: o processo prescreveu... Isto significa que o processo de julgamento demorou tanto a acontecer que "caducou" e não vale mais nada. E interessante que alguns deles estão ocupando cargos de confiança do governo, e em setores que destinam verbas para projetos e gestão de cidades. Para completar, para quem já esperava que o governo iria usar um tempo de carência para aplicação do projeto ficha limpa, que visa tornar inelegível políticos com ficha suja, para que não fosse aplicada já nessas últimas eleições, não esperava por essa.... O STF está pretendendo aumentar a carência de aplicação deste projeto por mais 10 anos. É tanta sujeira que nem projeto de ficha limpa pode com tudo isso...

terça-feira, 29 de março de 2011

Educação

   No ano de 1999 eu entrei pela primeira vez em sala de aula como professor, ano em que completei 19 anos. Junto com a nova "profissão", que foi o que me ajudou a terminar a faculdade, veio aquela vontade de fazer a diferença, fazer uma revolução. Muito à ver com a idade, calor do momento.
   Os anos passaram e fui tomando gosto pela educação, pois sentimos que podemos fazer parte de uma transformação social, já que participamos do desenvolvimento de milhares de jovens que irão fazer a diferença no futuro. E mesmo financeiramente ser impraticável lecionar (pelo menos para o estado de Santa Catarina), este sentimento vai servindo de empurrão, onde vamos nos arrastando, nos desgastando, e quase se apagando. Então num certo momento, temos a impressão de que a oportunidade de fazer parte de uma transformação social não passa de utopia, assim como o sistema de ensino. Torna-se então mais importante o lado financeiro, contas à pagar, financiamento, juros (que não tem nada de utopia), e parece difícil não olhar a "profissão" apenas sob este aspecto. E acho isso muito triste, porque não falo só por mim, outros colegas de trabalho compartilham do mesmo sentimento. 
   Então como houve uma recente mudança de governo, resolvi enviar um e-mail para a secretaria da educação, questionando se haveria alguma mudança positiva na área. Vou copiar e colar a conversa ocorrida:

Enviei a seguinte mensagem para secom@secom.sc.gov.br:


"Por favor, resgatem o ensino de excelência que nosso estado já possuiu décadas atrás! ensino fundamental, médio, técnico. Laboratórios, pessoas capacitadas, Capacitação para professores.
Não tem novidade, é no mínimo copiar um modelo que já deu certo. Fico na esperança. Obrigado!"
Em seguida veio a resposta:
"O Estado de Santa Catarina ainda ostenta um dos melhores sistema educacionais do Brasil. Está entre os melhores índices de escolarização, professores capacitados e alunos com boa formação.
Temos alguns desafios, naturais da evolução de  toda sociedadade. Um exemplo é diminuir o analfabetismo adulto que ainda tmeos 4,4%. Para isso a Secretaria de Educação vai intensificar um grande programa no segundo semestre. Quanto a sua preocupação referente aos professores, temos consciência das metas do nosso governador Raimundo Colombo, de buscar a valorização, o merecimento destes profissionais. Outra prioridade elencada pelo governador são as Escolas de ofício que terão atenção especial, para formar mão de obra qualificada.
Pode ter certeza de que não haverá perda de qualidade no ensino catarinense.
Espero ter atendido e esclarecido suas dúvidas."
Jorn. Benhur Antonio Cruz de Lima
Assessor de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Educação

Em réplica a resposta:


"Sr.Benhur, desculpa ocupar seu tempo, eu nem esperava resposta. Meu e-mail foi apenas uma forma de protestar individualmente o atual cenário da educação. Quando eu nasci, as escolas estaduais eram referência no ensino científico e técnico. Estudei em escolas estaduais onde haviam laboratórios de Física, Química, Biologia, todos amplos, tão bem equipados quanto os laboratórios que tive acesso na universidade. Havia até dentro do laboratório sala de monitor e professor com biblioteca específica. Hoje estas salas viraram depósito de paranhos e sucata. Não vi até hoje colégio particular com estrutura nem parecida com que havia "antigamente" na escola
pública. E me desculpe o comentário, mas dizer que Santa Catarina ostenta um dos melhores sistemas educacionais eu só posso concordar se for nivelando por baixo. A valorização do professor hoje já é de menos, falando em salário. Realmente os salários não correspondem a realidade de uma profissão que exige tanto investimento e dedicação, mas o que mais pesa é a falta de investimento em estrutura. A educação não cresce junto com a demanda. O professor tem uma grade curricular exprimida, onde mal consegue atender o "conteudismo" do currículo exigido de cada disciplina, entra numa sala que mal se consegue respirar pelo enorme número de alunos que não tem a mínima vontade de estudar porque não vêem perspectiva nenhuma para o futuro baseado na educação. Não tem salário que pague o desgaste sofrido pelo professor. A escola privada prepara o aluno para o vestibular, a pública prepara para a vida...O que acontece com o aluno que se forma no ensino médio hoje em dia? Meia dúzia entra na faculdade (privada) e através de bolsas e financiamentos, trancos e barrancos consegue se manter. E o resto? Nada sabem o que querem nem o que fazer. Claro, passaram 13 anos dentro de uma sala de aula, aprenderam um monte de conteúdo, mas não tem nenhuma profissão. Então é deprimente saber que hoje nosso estado ostenta um dos melhores sistemas de ensino... imagina o resto! chega de nos nivelarmos por baixo! Este é meu último ano em sala de aula como professor, já que após dez anos lecionando não houve nenhuma oportunidade de atualização ou pós graduações, financeiramente apenas foi possível "sobreviver" e adquirir um carrinho velhinho para ir trabalhar.Quem quer isso para a sua vida. Uma vez, numa conversa com uma turma de 2º ano do ensino médio comentei da importância do estudo na vida, das oportunidades que pode nos trazer. Um aluno levantou o dedo e respondeu: - E o senhor que estudou um monte e está dando aula, do que adiantou estudar? Então veja o ponto de vista que essa geração compartilha da educação. Me formei fazem quatro anos e nem tive tempo de perceber que esse tempo já passou. Hoje fui numa escolha de vaga para ACTs, que vergonha! Um verdadeiro leilão: -Aula de tal disciplina, levanta a mão quem quer. O que é isso!? vergonhoso.
Pronto, desabafei. Mas vamos ver como o novo governo vai tratar deste assunto. Obrigado pela atenção."
Agora leiam a conclusão final da história:
"Concordo com você e entendo sua preocupação e talvez decepção.
Tenho 46 anos e quando eu fiz o fundamental, até o segundo grau (como chamávamos na época) as escolas públicas que sempre estudei em Erechim no RS, era muito boas.
Tínhamos laboratórios de iniciação profissional de 5ª a 8ª séries: técnicas comerciais, industriais (mecânica, tipografia,etc) agrícolas e domésticas. Isto foi muito útil tanto que até hoje sei cozinhas, fazer barra em calça, pregar botões etc. Os laboratórios de ciências amplos nos permitiram fazer experiências de química e entender na prática. O uniforme era obrigatório o que acabava com as desigualdades entre os ricos e pobres (eu estava neste segundo grupo). Era uma economia familiar. Roupas melhores era para usar nos domingos na missa.
E no segundo grau fiz na escola pública já com currículo vocacionado.
Enfim a sociedade muda, muitos querem mais direitos que deveres.
Não sei você tem acompanhado a falta de professores? Ontem assisti na TV um prefeito indignado com a "indústria do atestado médico". Um médico que concede atestados para professores que não quererm ir para sala de aula. Onde está a responsabilidade social? Antes de iniciar o ano letivo apresentam atestados para não ter que trabalhar. Inaceitável."
Mas, enfim, são desafios do serviço público
Jorn. Benhur Antonio Cruz de Lima
Assessor de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Educação

... E assim vai caminhando (ou se arrastando?) a humanidade, sem vontade política, com povo que se contenta com pouco....